📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. O que é o Fator R do Simples Nacional?
  2. Como calcular o Fator R?
  3. O que entra na folha de pagamento do Fator R?
  4. Quanto o Fator R pode economizar? Exemplo em reais
  5. Vale a pena aumentar o pró-labore para atingir os 28%?
  6. Quais erros evitar com o Fator R?
  7. Como o Figreen ajuda a acompanhar o Fator R?
  8. Perguntas frequentes
Ilustração de uma balança comparando folha de pagamento e receita bruta, com os anexos III e V do Simples Nacional.

O Fator R é a relação entre a folha de pagamento e a receita bruta da empresa nos últimos 12 meses, e decide se certas atividades de serviço pagam o Simples Nacional pelo Anexo III, mais barato (alíquota inicial de 6%), ou pelo Anexo V, mais caro (alíquota inicial de 15,5%). A regra é: se a folha for igual ou maior que 28% da receita, a empresa fica no Anexo III; abaixo disso, no Anexo V. Entender e planejar o Fator R pode reduzir bastante o imposto de quem presta serviços intelectuais e técnicos.

O que é o Fator R do Simples Nacional?

O Fator R é um índice previsto na Lei Complementar 123/2006 que compara o que a empresa gasta com a folha de pagamento com o que ela fatura. Ele se aplica a algumas atividades de serviço em que a lei permite tributar pelo Anexo III ou pelo Anexo V, dependendo desse índice. Atividades como tecnologia da informação, engenharia, arquitetura, consultoria e publicidade costumam estar nesse grupo. Confira a lista completa na LC 123/2006 ou com o contador.

A lógica é incentivar a formalização: quanto mais a empresa paga de salários e pró-labore em relação ao que fatura, menos imposto paga. Para o quadro geral do regime, veja Simples Nacional 2026: como calcular o DAS.

Como calcular o Fator R?

A fórmula é: Fator R = folha de salários dos últimos 12 meses ÷ receita bruta dos últimos 12 meses, expresso em porcentagem. O resultado define o anexo:

Fator RAnexoAlíquota inicial
28% ou maisAnexo III6,00%
Menos de 28%Anexo V15,50%

A apuração é feita todo mês, considerando os 12 meses anteriores ao período. Se a empresa tem menos de 12 meses de atividade, usa-se a média proporcional dos meses em funcionamento.

Como o Fator R define o anexo Folha de pagamento dos últimos 12 meses dividida pela receita bruta dos últimos 12 meses. Se o resultado for 28% ou mais, Anexo III; se for menor, Anexo V. Folha 12 meses salários, pró-labore, FGTS ÷ Receita 12 meses receita bruta ≥ 28%: Anexo III alíquota inicial 6% < 28%: Anexo V alíquota inicial 15,5%
Um único percentual separa a alíquota mais barata da mais cara.

O que entra na folha de pagamento do Fator R?

Entram os salários, o pró-labore dos sócios, as férias e o 13º salário, a contribuição previdenciária patronal (quando devida) e o FGTS. Ficam de fora, por exemplo, a distribuição de lucros e valores pagos a prestadores sem vínculo. Por isso o pró-labore pesa tanto: é a parte da folha que o próprio sócio decide. Sobre a diferença entre pró-labore e lucro, veja pró-labore x distribuição de lucros.

Quanto o Fator R pode economizar? Exemplo em reais

Considere uma empresa de consultoria com receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12) de R$ 240.000, na segunda faixa do Simples (R$ 180.000,01 a R$ 360.000). A alíquota efetiva usa a fórmula (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12:

  • Anexo V (nominal 18%, dedução R$ 4.500): (240.000 × 0,18 − 4.500) ÷ 240.000 = 16,125%.
  • Anexo III (nominal 11,20%, dedução R$ 9.360): (240.000 × 0,112 − 9.360) ÷ 240.000 = 7,30%.

Com folha de R$ 60.000 (Fator R de 25%), a empresa cai no Anexo V. Com folha de R$ 72.000 (30%), fica no Anexo III. Em um mês de faturamento de R$ 20.000, o imposto é de cerca de R$ 3.225 no Anexo V contra R$ 1.460 no Anexo III: uma diferença de aproximadamente R$ 1.765 por mês. Os números do exemplo são ilustrativos e simplificados: a alíquota real depende da faixa e da atividade.

Alíquota efetiva no exemplo com receita de R$ 240.000 No Anexo V, com Fator R de 25%, a alíquota efetiva é de 16,13%. No Anexo III, com Fator R de 30%, é de 7,30%. Anexo V (Fator R de 25%) 16,13% Anexo III (Fator R de 30%) 7,30%
Ultrapassar os 28% de folha reduziu a alíquota efetiva de 16,13% para 7,30%.

Vale a pena aumentar o pró-labore para atingir os 28%?

Muitas vezes sim, mas é preciso fazer a conta completa. Aumentar a folha para atingir 28% custa dinheiro (o pró-labore tem contribuição previdenciária e há Imposto de Renda sobre valores altos), e a economia vem da queda do DAS. No exemplo, subir a folha de R$ 60.000 para R$ 72.000 no ano significa R$ 1.000 a mais por mês de pró-labore, contra uma economia de imposto de cerca de R$ 1.765 mensais. Compare sempre o custo adicional com a economia e planeje com o contador, pois o Fator R é recalculado todo mês e varia com a receita.

Pesando o custo de aumentar o pró-labore De um lado, o custo extra de folha: pró-labore maior, com contribuição e possível Imposto de Renda. Do outro, a economia no DAS ao passar do Anexo V para o Anexo III. Custo de subir a folha Pró-labore maior INSS do sócio IR sobre valores altos Economia no imposto DAS do Anexo III Alíquota bem menor Vale quando supera o custo
Faça a conta dos dois lados antes de mexer no pró-labore.

Quais erros evitar com o Fator R?

  • Olhar só o mês atual: o Fator R usa 12 meses, e uma queda de folha ou um pico de receita muda o resultado.
  • Esquecer de somar o pró-labore: sem pró-labore lançado, a folha fica artificialmente baixa.
  • Aumentar a folha sem simular: o custo pode superar a economia.
  • Misturar contas pessoais e da empresa: compromete os números que sustentam o cálculo. Veja como separar as finanças.

Como o Figreen ajuda a acompanhar o Fator R?

No Figreen, as despesas de folha e o pró-labore ficam categorizados e a receita é registrada mês a mês, o que dá os dois números que o Fator R exige: folha e receita de 12 meses. Com o DRE e o dashboard de comparação de períodos, você acompanha a evolução e conversa com o contador com dados na mão. Para escolher o regime da empresa, veja também Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real.

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Perguntas frequentes

O que é o Fator R?

É a relação entre a folha de pagamento e a receita bruta dos últimos 12 meses. Ele define se certas atividades de serviço são tributadas pelo Anexo III ou pelo Anexo V do Simples Nacional.

Como calcular o Fator R?

Divida a folha de salários dos últimos 12 meses (incluindo pró-labore, encargos e FGTS) pela receita bruta dos últimos 12 meses. O resultado, em porcentagem, define o anexo.

Qual o percentual do Fator R para ficar no Anexo III?

A folha deve ser igual ou superior a 28% da receita bruta dos últimos 12 meses. Abaixo de 28%, a empresa fica no Anexo V.

Qual a diferença entre o Anexo III e o Anexo V?

O Anexo III tem alíquotas menores, com faixa inicial de 6%. O Anexo V tem alíquotas maiores, com faixa inicial de 15,5%. Para as atividades sujeitas ao Fator R, o índice decide qual se aplica.

O pró-labore entra no cálculo do Fator R?

Sim. O pró-labore dos sócios faz parte da folha de salários usada no cálculo. A distribuição de lucros não entra.

O Fator R é calculado todo mês?

Sim. A apuração é mensal, considerando os 12 meses anteriores. Empresas com menos de 12 meses de atividade usam a média proporcional dos meses de funcionamento.

MEI tem Fator R?

Não. O Fator R se aplica às empresas do Simples Nacional que tributam pelos Anexos III e V, não ao MEI, que paga o DAS fixo mensal.

Conclusão

O Fator R é uma das decisões de imposto que mais mexem no resultado de quem presta serviços no Simples Nacional: com folha igual ou maior que 28% da receita dos últimos 12 meses, a empresa paga pelo Anexo III, com alíquotas bem menores que as do Anexo V. Antes de mexer no pró-labore, simule o custo adicional e a economia de imposto, acompanhe o índice mês a mês e alinhe a estratégia com o contador. Com folha e receita bem registradas, essa conta deixa de ser um palpite.

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