📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. Por que o convênio muda tanto o caixa da clínica?
  2. Como fica a conta de um consultório? (exemplo em reais)
  3. Como calcular o repasse dos profissionais sem erro?
  4. Como medir ocupação, ticket médio e faltas?
  5. Como reduzir as glosas e os atrasos de convênio?
  6. Como organizar recebimentos de particulares, cartões e parcelamentos?
  7. Como definir o preço da consulta particular?
  8. Qual é a rotina financeira semanal e mensal de uma clínica?
  9. Como organizar o financeiro da clínica no Figreen?
  10. Fontes e referências
  11. Perguntas frequentes
Médica de jaleco conversando sorridente com uma paciente sobre um fundo rosa.

O financeiro de uma clínica ou consultório depende de quatro controles: separar consultas particulares e de convênio, acompanhar o prazo de recebimento e as glosas, calcular o repasse de cada profissional e medir a taxa de ocupação da agenda. O maior risco de caixa costuma estar no convênio: o atendimento acontece agora, mas o dinheiro entra 30 a 60 dias depois, e parte do valor pode ser glosada.

Por que o convênio muda tanto o caixa da clínica?

No atendimento particular, o paciente paga na hora (Pix, cartão ou dinheiro). No convênio, a clínica fatura depois e recebe em prazos definidos em contrato. Enquanto isso, as despesas (aluguel, equipe, materiais) vencem normalmente. Isso gera um descompasso: a clínica pode ter agenda cheia e caixa apertado.

Outro ponto é a glosa: o convênio recusa total ou parcialmente um valor faturado por erro de cadastro, falta de autorização, código incorreto ou divergência de documentos. A glosa pode ser contestada (recurso), mas até lá o dinheiro não entra.

CaracterísticaParticularConvênio
RecebimentoNa hora ou em até 30 dias (cartão)Em geral 30 a 60 dias, conforme contrato
Valor por consultaDefinido pela clínicaTabela do convênio
RiscoInadimplência e cancelamentoGlosa, atraso e mudança de regras
Esforço administrativoBaixoAlto: autorização, faturamento, recurso
Médica sorrindo à mesa de consultório enquanto conversa com um paciente.
Cada atendimento gera uma receita que pode entrar na hora ou semanas depois.

Como fica a conta de um consultório? (exemplo em reais)

💡 Exemplo prático (valores hipotéticos)

Um consultório com dois profissionais atende, no mês, 80 consultas particulares a R$ 250 (R$ 20.000) e 120 consultas de convênio a R$ 120 (R$ 14.400). Faturamento total: R$ 34.400.

  • Glosa de 6% no convênio: R$ 864
  • Impostos (6% do faturado): R$ 2.064
  • Repasse aos profissionais (45%): R$ 15.480
  • Custos fixos (aluguel R$ 6.000, recepção R$ 2.800, materiais R$ 1.800, sistema R$ 600, contador R$ 700): R$ 11.900

Resultado: 34.400 − 864 − 2.064 − 15.480 − 11.900 = R$ 4.092 (11,9% do faturamento). E o caixa do mês? Os R$ 13.536 de convênio (14.400 menos a glosa) só entram 45 dias depois. Se o consultório dobrar o volume de convênio, precisa financiar mais R$ 13.536 de capital de giro.

Esse efeito é o que explica a necessidade de capital de giro e o ciclo financeiro em clínicas.

Como calcular o repasse dos profissionais sem erro?

O repasse é o maior custo variável da clínica, e o que mais gera conflito. Para evitar problemas:

  1. Defina em contrato a base: valor bruto, valor recebido ou valor líquido de glosas e impostos.
  2. Defina o momento: o repasse acontece quando o paciente paga ou quando o convênio paga? Repassar antes de receber financia o profissional com o caixa da clínica.
  3. Estabeleça a regra da glosa: quem arca com ela (clínica, profissional ou rateio) quando o erro for do atendimento ou do faturamento.
  4. Emita demonstrativo mensal por profissional, com atendimentos, valores e descontos.
  5. Formalize o vínculo (sócio, autônomo, parceria ou CLT) com apoio do contador, porque cada modelo tem tributação e obrigações diferentes.

O acerto entre as partes é parecido com o descrito em acerto de contas entre sócios.

Médica de jaleco e estetoscópio sorrindo durante a consulta.
O repasse ao profissional deve estar definido em contrato, com base e prazo claros.

Como medir ocupação, ticket médio e faltas?

  • Taxa de ocupação: horários atendidos ÷ horários disponíveis. Horário vazio é custo fixo sem receita.
  • Taxa de faltas (no-show): consultas marcadas e não realizadas ÷ consultas marcadas. Confirmação por mensagem e lista de espera reduzem o problema.
  • Ticket médio por convênio: receita ÷ atendimentos de cada convênio, para decidir se o contrato vale a pena.
  • Retorno de pacientes: quem volta em até 6 ou 12 meses.
  • Receita por hora de agenda, comparando particular e convênio.

Se um convênio paga R$ 120 por consulta e a hora da clínica custa R$ 100 entre estrutura e repasse, a margem é pequena. Calcule a margem de contribuição de cada fonte de receita antes de renovar contratos.

Como reduzir as glosas e os atrasos de convênio?

  1. Confira o cadastro (carteirinha, validade, plano) antes do atendimento.
  2. Peça e registre as autorizações exigidas para cada procedimento.
  3. Padronize códigos e guias e treine a recepção e o faturamento.
  4. Fature em dia: cada dia de atraso empurra o recebimento.
  5. Acompanhe o motivo de cada glosa e corrija a causa. Se 60% das glosas vêm do mesmo erro, o treinamento resolve.
  6. Recorra dentro do prazo e registre o resultado.
  7. Calcule a taxa de glosa por convênio: valor glosado ÷ valor faturado.
Paciente sorrindo ao se olhar no espelho na cadeira de um consultório odontológico.
Pacientes satisfeitos voltam, e o retorno é um dos indicadores mais valiosos da clínica.

Como organizar recebimentos de particulares, cartões e parcelamentos?

No atendimento particular, o paciente costuma pagar por cartão, inclusive parcelado. Acompanhe cada forma de pagamento: o crédito parcelado entra em parcelas (ou antecipado, com custo). Compare as condições em taxas e prazo de maquininha. Para pacotes de tratamento, registre o valor recebido adiantado como serviço a prestar, e reconheça a receita conforme os atendimentos, ao menos no controle gerencial.

Cobranças de saldo devedor seguem as boas práticas de cobrança de clientes, com tom respeitoso e canal claro. Lembre-se também de que dados de pacientes são sensíveis: mantenha o financeiro organizado sem expor informações clínicas desnecessárias, em conformidade com a LGPD.

Como definir o preço da consulta particular?

O preço da consulta particular precisa cobrir o custo da hora de agenda e deixar margem. Some o custo fixo mensal por profissional (aluguel rateado, recepção, materiais, sistema, contador), divida pelas horas realmente atendidas e acrescente repasse, imposto e margem.

💡 Exemplo prático (valores hipotéticos)

Custos fixos rateados por profissional: R$ 5.950 por mês. Horas de consulta realmente atendidas: 60. Custo fixo por hora: R$ 99,17. Se a consulta dura 40 minutos, o custo de estrutura é R$ 66,11. Com repasse de 45%, imposto de 6% e margem desejada de 10%, o preço mínimo da consulta é 66,11 ÷ (1 − 0,45 − 0,06 − 0,10) = R$ 169,51. Um convênio que paga R$ 120 não cobre esse custo, e só se justifica se encher horários que ficariam vazios.

Use a mesma lógica do markup e da hora técnica.

Qual é a rotina financeira semanal e mensal de uma clínica?

  • Diariamente: fechar o caixa de pagamentos particulares e conferir faltas e encaixes.
  • Semanalmente: conferir guias a faturar, glosas recebidas e contas a pagar da semana seguinte.
  • Mensalmente: fechar o faturamento de convênios, calcular o repasse, gerar o DRE e comparar ocupação, ticket e glosa com o mês anterior (relatório gerencial mensal).
  • Trimestralmente: reavaliar contratos de convênio, preços particulares e horários da agenda.

Manter essa rotina evita que o atraso de faturamento se transforme em atraso de pagamento de equipe e fornecedores.

Como organizar o financeiro da clínica no Figreen?

No Figreen, você registra as consultas particulares em Transações e os valores a receber de convênios em Contas a Receber (com a data prevista de pagamento), lança o repasse e as despesas por categoria e acompanha no DRE o resultado real. A Previsão de Caixa mostra quando os convênios entram e quando as contas vencem, e o módulo Repasse ajuda no acerto entre as partes.

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Fontes e referências

Conteúdo revisado em 3 de outubro de 2026. Regras, alíquotas e prazos podem mudar, por isso confirme sempre nas fontes oficiais abaixo antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que é glosa em convênio?

É a recusa, total ou parcial, de um valor faturado pela clínica ao convênio, por erro de cadastro, falta de autorização, código incorreto ou outro motivo. Pode ser contestada por recurso.

Como calcular a taxa de glosa?

Divida o valor glosado pelo valor faturado no período. Acompanhe por convênio e por motivo para corrigir as causas.

Em quanto tempo o convênio paga?

Depende do contrato de cada convênio, em geral de 30 a 60 dias após o faturamento. Confira o prazo no seu contrato.

Como definir o repasse dos profissionais?

Defina em contrato a base de cálculo, o momento do pagamento e a regra para glosas, e emita demonstrativo mensal. O modelo de vínculo deve ser alinhado com o contador.

Como reduzir faltas na agenda?

Confirme as consultas por mensagem, mantenha lista de espera para encaixes e defina regras de remarcação.

Vale a pena atender convênio?

Depende da margem. Calcule a receita por hora de agenda e a margem de contribuição de cada convênio, considerando glosas e prazo de recebimento.

Conclusão

Em clínicas e consultórios, o resultado aparece no DRE, mas a sobrevivência depende do caixa. Separe particular e convênio, acompanhe prazos e glosas, defina o repasse por escrito e meça a ocupação da agenda. Com esses quatro controles, a clínica deixa de ser surpreendida por meses em que o faturamento é alto e o dinheiro ainda não chegou.

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